sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Reverso

O reverso do sonho que foi criado por minhas mãos. Doloridas, cansadas.
A contradição de estar ao mesmo tempo tão perto e tão longe do que se quis.
Desnecessário. O querer se torna vão, solitário, empoeirado. Como seu livro preferido, atrás da estante.
As letras se tornam vazias, já não dizem mais nada. Já não o fazem pensar, imaginar, duvidar ou crer.
Passa os dias frente a janela, observando o andar calmo de quem tem pressa.
Pressa.
Já não se tem mais o que fazer...

2 comentários:

Gaby Lirie disse...

Gostei muito de seu blog.

Esse texto tá ótimo !!!

Beijos.

Hayet disse...

Adorei essa metáfora "o seu livro preferido caído atrás da estante". Bem visual. Dava uma cena de início de filme, ou de fim.
Consigo até imaginar um facho de luz solar, com aqueles pontinhos brilhantes na poeira suspensa no ar, tudo em tons de sépia e o livro semi aberto, as páginas amassando...
Até a aproximação lenta da câmera, a trilha sonora lenta.
Parece que nossos livros favoritos acabam aí mesmo, caídos atrás da estante, sem que nos demos conta, até que o achamos num dia de mudança e já não temos onde guardá-lo, estragado e sujo, empoeirado...