quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

parte 1

Eu não sei mais quem eu sou. Vejo minhas coisas, minhas letras e meus livros jogados e não me reconheço mais neles. Eu não sei porque mudei, se foi você que me fez mudar. Não interpreto como antes aquelas mesmas frases, olho minhas fotos de escola e vejo os meus amigos tão distantes deles mesmos... Até o meu sorriso que você tanto gostava mudou. Mas mesmo assim você o nota cada vez mais forte e sereno.

Me pergunto se mudei pelos outros ou por mim mesma. Se eles me moldaram ou se eu me modifiquei por que não cabia mais nas minhas roupas pequenas. Mas eu me sinto grande demais pro que eu era, e pequena demais pra quem eu quero ser.

Mas os teus olhos ainda brilham pra mim como nunca deixaram de brilhar e tua boca ainda me deseja como no primeiro instante, assim como a minha alma ainda quer a tua e minhas mãos ainda procuram teu rosto para beijá-lo.

O tempo foi e a gente ficou. Apesar de não estarmos inertes a ele, ele passou por nós como o vento que precede a chuva: fraco demais pra te derrubar, mas frio e cortante, o suficiente para te fazer movimentar os pés e te tirar do espaço que ocupava, sem se notar ou se importar se seus passos serão para frente ou para trás... Você se abala, e desvia-se.

Me pergunto se ele é tão forte assim e se todos mudaram de lugar como eu. Esse vento às vezes parece me perseguir, fazendo com que eu nunca pare, nunca me adeqúe a lugar algum. Não me deixa andar nem parar.

Penso se será sempre assim, ou se algum dia haverá algum arco-íris que se formará depois da chuva, quando o vento se acalmar.

Ou então se o vento um dia trará seus beijos de volta, se tua boca voltará a encontrar a minha alma e se ela voltará a fitar teus olhos negros. E se eles verão meu sorriso radiante ao te ver...

Se o vento então, voltar a soprar e nos levar pra outro lugar, longe ou perto de onde estivemos antes, se estaremos juntos pra ver o arco-íris se formar, longe da tempestade lá fora... Vendo o sol nascer e outro dia raiar, e outras letras a desenhar, outros livros a desvendar, outros amigos a se reencontrarem... E se seremos mesmos nós...

By: Claudia Bittencourt

3 comentários:

Unknown disse...

nossa nossa, de verdade? muito bom gente, adorei! :D faz sentido ó :x hahahaha

:*

Pablo Emílio de Mattos disse...

faz sentido...



escrevemos, hein?





=*

J disse...

Nossa, Cau...
mandou bem!!
:)
o ótimo é k vc, com seus textos... deixa a gente pensando... vendo a vida por um outro espectro, quem sabe ;)

s cuida***
forgottenfairy