Seus olhos me beijavam e eu quase consegui sentir o cheiro do seu espírito.
Uma vez que ele esteve aqui, jamais quis que ele se fosse. Me fez parte dele, como sou parte de sua casa. Os cabelos, os roxos, os olhos pintados de preto.
Olhos, que abertos observavam o sono tranquilo de quem se sente seguro, mesmo longe de casa. Por um instante, achei que fosse sonho, ouvindo sua voz ao telefone que parecia tocar loucamente.
Um dia fecharei meus olhos, não como quem tem medo do real, mas como alguém que faz dos seus pensamentos mais íntimos, reais. Cotidianos.
O relógio da parede marca 4 horas, mas já escureceu. Nenhum movimento calculado, nenhuma pressa para voltar pra casa.
Enxergou em mim sua melhor parte e me faz beijar seus olhos. Como num primeiro instante, com olhares etílicos e bochechas ruborizadas. Prende o tempo e solte-o, só pra nunca mais querer voltas atrás.
Como num único passo. Pra subir no arco-íris... Como num passe de mágica, tornou-se real.
domingo, 17 de janeiro de 2010
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Feliz novo ano!
O ano está acabando e, provavelmente, não irei mais atualizar o espectro até dia 31.
Então, desejo um felissíssimo ano novo pra todos! Que 2010 seja lindo!
E uma das metas pra 2010 é escrever mais - consequentemente postar mais! Hehe.
Beijos! Feliz nova vida!
Então, desejo um felissíssimo ano novo pra todos! Que 2010 seja lindo!
E uma das metas pra 2010 é escrever mais - consequentemente postar mais! Hehe.
Beijos! Feliz nova vida!
domingo, 20 de dezembro de 2009
A leveza dos anos
Um amor implantado nos seus olhos enrugados. ''Chora, fia, chora que faz bem''.
Mais um dia que ela olha pela janela, sentadinha em sua cadeira balanço. Vendo os namorados andares de mãos dadas, as crianças sorrindo comprarem o sorvete da esquina. ''Sai da chuva, menina...'' ela disse, com um grito preocupado.
Já viveu tantos amores, que não sente mais a dor de nenhum deles. Nenhum havia marcado sua alma, a não ser aquele a quem entregou a vida, e que agora, vê seus olhos nos olhos dos netos. Anda pelo jardim e sorri. Não há algo que a preocupe mais além de colocar sorrisos nessas bocas amadas. O bolo de cenoura, o suco de laranja. Grita e reúne todos em uma mesa farta. Sem pressa, sem compromissos.
Apenas a simplicidade de um dia na casa da vovó.
Mais um dia que ela olha pela janela, sentadinha em sua cadeira balanço. Vendo os namorados andares de mãos dadas, as crianças sorrindo comprarem o sorvete da esquina. ''Sai da chuva, menina...'' ela disse, com um grito preocupado.
Já viveu tantos amores, que não sente mais a dor de nenhum deles. Nenhum havia marcado sua alma, a não ser aquele a quem entregou a vida, e que agora, vê seus olhos nos olhos dos netos. Anda pelo jardim e sorri. Não há algo que a preocupe mais além de colocar sorrisos nessas bocas amadas. O bolo de cenoura, o suco de laranja. Grita e reúne todos em uma mesa farta. Sem pressa, sem compromissos.
Apenas a simplicidade de um dia na casa da vovó.
domingo, 25 de outubro de 2009
Paredes azuis
O velho desenho, a cama quebrada,
o relógio que sempre marcava 4 horas.
As paredes azuis que relaxam, o chuveiro com a água mais quente,
a porta sem trinco, as janelas cobertas,
o cobertor humano.
O calor excessivo que obriga o ligar os ventiladores.
O vento, a calma, o brilho dos olhos dos cilios grandes,
a mão do carinho, a música da dança, do ritmo.
Cada compasso encaixado em notas trêmulas que nos acariciavam, nos envolvendo numa atmosfera intimista, cheia de risos, sons e cores.
Aquelas paredes azuis aprisionavam o tempo.
o relógio que sempre marcava 4 horas.
As paredes azuis que relaxam, o chuveiro com a água mais quente,
a porta sem trinco, as janelas cobertas,
o cobertor humano.
O calor excessivo que obriga o ligar os ventiladores.
O vento, a calma, o brilho dos olhos dos cilios grandes,
a mão do carinho, a música da dança, do ritmo.
Cada compasso encaixado em notas trêmulas que nos acariciavam, nos envolvendo numa atmosfera intimista, cheia de risos, sons e cores.
Aquelas paredes azuis aprisionavam o tempo.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
A bunda
Objeto de desejo dos brasileiros
Basta passar uma bunda e os olhares se voltam para ela.
Não importa se é bela ou feia,
a bunda é sempre bunda.
Há bundas que esperam que os olhares desçam até as
pernas, querendo aprisioná-las, que analisem depois a
cintura, os cabelos tomando a forma do vento
até que os olhos olhem os outros olhos
para, enfim, desejar plenamente a bunda...
Basta passar uma bunda e os olhares se voltam para ela.
Não importa se é bela ou feia,
a bunda é sempre bunda.
Há bundas que esperam que os olhares desçam até as
pernas, querendo aprisioná-las, que analisem depois a
cintura, os cabelos tomando a forma do vento
até que os olhos olhem os outros olhos
para, enfim, desejar plenamente a bunda...
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Gone
Frio e chuva.
Foi aquela, a última vez que ela chorou. Também foi a última vez que ele a viu, entrando no ônibus, se despedindo com o olhar.
Teria sido sua última chance de trazê-la de volta desperdiçada? Ou seria só mais um tempo, mais uma viagem, mais uma passagem? Será que ela voltaria com saudades depois de semanas longe, abraçando-o com a maior força possível?
Perdeu-se naqueles pensamentos. Era difícil demais pensar em todas aquelas hipóteses, sentindo-se culpado por cada decisão tomada contra eles. Tortura-se até a última gota de wisk, até o último trago do último cigarro.
Depois da ressaca moral que sentia, soava uma música triste em sua mente... ''But I know, it's too late, i should give you a reason to stay...''
Esperou pela sua volta, até que a espera tortou-se longa demais...
Foi aquela, a última vez que ela chorou. Também foi a última vez que ele a viu, entrando no ônibus, se despedindo com o olhar.
Teria sido sua última chance de trazê-la de volta desperdiçada? Ou seria só mais um tempo, mais uma viagem, mais uma passagem? Será que ela voltaria com saudades depois de semanas longe, abraçando-o com a maior força possível?
Perdeu-se naqueles pensamentos. Era difícil demais pensar em todas aquelas hipóteses, sentindo-se culpado por cada decisão tomada contra eles. Tortura-se até a última gota de wisk, até o último trago do último cigarro.
Depois da ressaca moral que sentia, soava uma música triste em sua mente... ''But I know, it's too late, i should give you a reason to stay...''
Esperou pela sua volta, até que a espera tortou-se longa demais...
domingo, 6 de setembro de 2009
Comunicado/Ciclos noturnos
Por hoje vou me guardar.
Vou guardar meus livros, meus cadernos, meus brincos espalhados pela casa, meus sapatos jogados na sala.
Hoje vou guardar minha mente, meu corpo, vou me despir de toda hipocrisia guardada em mim.
Vou sair sozinha e vou pro samba, vou me jogar, vou me acabar.
Não me espere pra jantar, não há melhor alimento que a minha paz.
Não espere seu celular tocar
Hoje a noite é só minha.
E eu serei só dela.
Vou guardar meus livros, meus cadernos, meus brincos espalhados pela casa, meus sapatos jogados na sala.
Hoje vou guardar minha mente, meu corpo, vou me despir de toda hipocrisia guardada em mim.
Vou sair sozinha e vou pro samba, vou me jogar, vou me acabar.
Não me espere pra jantar, não há melhor alimento que a minha paz.
Não espere seu celular tocar
Hoje a noite é só minha.
E eu serei só dela.
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